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quarta-feira, 13 de julho de 2011

O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE O HOMOSSEXUALISMO E O HOMOSSEXUAL?

Esta é a última pergunta de sua carta. Geralmente deixamos para o fim o que queremos perguntar primeiro. Como você lê a Bíblia, acredito que não esteja querendo saber minha opinião sobre o homesexualismo, mas o que Deus fala de tal prática na Bíblia. A opinião das pessoas podem até ser respeitadas, mas há momentos quando precisamos decidir se obedecemos a opinião das pessoas ou a Palavra de Deus. E entendi que é esta que é a opinião importante para você.



Você deve estar em dúvida se deve aceitar realmente o que diz a Bíblia, que foi escrita há tanto tempo, ou se o melhor seria simplesmente se deixar levar pela opinião pública e pelo senso comum. A opinião pública irá cada vez mais considerar a prática do homossexualismo apenas uma opção de vida, porém é importante você decidir quem deve dirigir sua vida: a opinião pública ou Deus. Um dia todos nós deixaremos a opinião pública para trás - o que os outros pensam e dizem - e iremos nos encontrar com Deus. Lembre-se de que foi a opinião pública que decidiu pela soltura de Barrabás e condenação de Jesus.

"Qual desses dois quereis vós que eu solte? E eles disseram: Barrabás. Disse-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado." Mateus 27:21, 22.

O homossexualismo não é doença, e na Bíblia ele é descrito como até mais do que um pecado: é uma perversão e abominação diante de Deus. Não sou eu quem afirma isso, mas o mesmo livro que você tem aí com você e costuma ler. Veja bem que estou me referindo à prática, não à pessoa do homossexual. Deus ama cada pessoa, independente de como ela seja, mas não ama práticas que são contrárias à Sua própria natureza. É importante que você entenda isto, pois a primeira reação que temos contra Deus é a de tentarmos nos defender de algo que Ele condena, achando que não somos amados. O testemunho abaixo é de alguém que conheceu este amor:



"Espero que você compreenda que não importa o quão longe você tenha ido em seu estilo de vida homosexual, nunca é tarde demais para mudar, nunca é tarde demais para voltar ao lar. Deus tem o poder de reformá-lo completamente em corpo, alma e espírito. Por causa do que Deus fez por mim, o velho Jerry Arteburn acabou. Ele se foi. E sou uma nova pessoa através do poder de Deus. Creio que você queira mudar. Espero que você sinta que deva mudar. Você precisa tentar. Existe um caminho melhor. Deus tem um plano melhor. Com a decisão de buscar a vontade de Deus para sua vida, ela pode ser uma vida com significado." Jerry Arterburn, falecido em 13 de Junho de 1988 aos 38 anos, de AIDS.

A Bíblia está cheia de passagens condenando tal prática. Os homens de Sodoma queriam conhecer os anjos que se hospedaram na casa de Ló. Daí vem a palavra "sodomita" que é o homem que procura outro homem para possuí lo como a uma mulher. Tanto o que faz o papel de homem como o que faz o papel de mulher estão pecando e cometendo uma abominação:
"Não haverá prostituta dentre as filhas de Israel; nem haverá sodomita dentre os filhos de Israel. Não trarás o salário da prostituta nem preço de um sodomita à casa do SENHOR teu Deus por qualquer voto; porque ambos são igualmente abominação ao SENHOR teu Deus.... Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é... Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação" Dt 23.17; Lv 18:22; 20:13

Em algumas traduções, ao invés de "sodomitas" a expressão usada é "rapazes escandalosos", "rapazes alegres" (daí usar a palavra inglesa "gay" que significa "alegre"), "prostitutos cultuais" ou "prostitutos sagrados" (porque os israelitas tinham incorporado o sexo aos rituais religiosos, como faziam os pagãos) (1 Reis 14.24; 15.12), e os homossexuais são novamente citados no Novo Testamento, em Romanos 1.26,27, tanto com respeito ao homem como à mulher (lésbicas, lesbianismo), prevendo aí um juízo que cairia sobre seus próprios corpos, sem contudo identificar especificamente que juízo seria esse:



"Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro." Rm 1:26,27.



Li na revista Newsweek a reportagem sobre o médico que descobriu que a homossexualidade é uma alteração existente no cérebro. O curioso é que o médico revela ser homossexual desde criança, e que isto sempre lhe dava uma intranquilidade de consciência, até descobrir que era algo congênito (de nascença). Fico na dúvida se ele descobriu alguma evidência científica ou se descobriu tão somente algo que queria descobrir. Mas o artigo mostrava que tudo não passava de uma teoria, assim como a teoria da evolução. Ou seja, não há provas.



Não nego que existam pessoas que nascem com mais hormônios do sexo oposto, mas isto não é justificativa para que cometam alguma torpeza. Talvez sejam até mais tentados em sua carne do que aqueles que têm uma predominância de hormônios de seu próprio sexo, mas nada justifica que venha a praticar um ato sexual abominável a Deus. Tentar usar o argumento de excesso de hormônios (masculinos ou femininos) para justificar o homosexualismo ou lesbianismo é o mesmo que usar o argumento da pobreza para justificar o crime. Como diz o ditado, você não pode evitar que as andorinhas voem sobre sua cabeça, mas pode impedir que façam ninhos em seus cabelos.



Há homens claramente efeminados (com características femininas), de nascença, modo de criação ou devido a um excesso de hormônios femininos, que se casam, têm filhos e são felizes como homens. Devemos lembrar que o homossexualismo é tratado, na Bíblia, não apenas como um pecado, mas como uma abominação. O que pratica um ato sexual condenado por Deus é culpado daquele pecado, não importando se tenha alguma tendência fisiológica para tal.



Isto porque são necessários alguns passos até se chegar ao ato, passos estes que poderiam ser evitados se a pessoa simplesmente quisesse evitá los. Uma pessoa nascida em meio a bandidos e assaltantes pode ter a tendência de se tornar um bandido e assaltante, mas isto não a isenta da culpa se vier a praticar um crime. (Aliás, o crime é praticado em qualquer classe social e a grande maioria das pessoas pobres são pessoas honestas, não se valem da desculpa da pobreza para poderem roubar). Nossa carne certamente se inclinará para o mal, pois a Palavra de Deus diz que "a inclinação da carne é inimizade contra Deus" (Rm 8.7).



Aquele que é nascido de novo tem uma nova vida e possui o Espírito Santo habitando em si. Este lhe dará vitória contra qualquer tendência natural de nossa carne. Se acharmos que a inclinação de nossa carne deve ter livre curso, então temos que dar livre curso também aos outros desejos que brotam no coração de todos, ou seja, de praticarmos o que bem entendermos, matando, roubando, ferindo e praticando todo tipo de torpeza.



Talvez alguém diga que é diferente de matar ou roubar, pois não faz mal aos outros, que homosexuais são cidadãos que podem viver uma vida respeitável, que devem ser respeitados etc. Sim, é verdade. Conheço homossexuais que são muito mais honestos e respeitáveis do que muita gente que vive com a Bíblia debaixo do braço. Além disso, de acordo com as leis que temos na maioria dos países tal prática não pode ser comparada àquelas que costumamos enxergar como crimes contra o ser humano e a sociedade, e em alguns lugares tratar um homossexual com discriminação pode ser considerado crime.



Mas não é esta a questão que está sendo tratada aqui, não me propus a escrever aqui de como os homens enxergam isso ou aquilo, mas de como Deus enxerga e diz em sua Palavra. E se você crê que a Bíblia é a Palavra de Deus, convém analisar a prática sob esse ponto de vista, ou descartá-la de vez para ter a opinião pública ou sua vontade própria como bússolas de sua vida. A responsabilidade é sua e é você quem terá de prestar contas de seus atos a Deus.



Entenda que o que escrevo aqui não é uma crítica à pessoa homosexual, mas à prática da homossexualidade, e também não estou me baseando no modo como a sociedade aceita ou deve aceitar determinadas práticas. Não sou melhor do que qualquer pessoa e jamais poderia me colocar na posição de juiz. Eu mesmo sou suscetível a qualquer prática mais ou menos prejudicial ou contrária à Palavra de Deus e, como todo e qualquer ser humano, estou incluído na condenação genérica da qual a Bíblia fala e que coloca todos nós na mesma condição: pecadores necessitados de um Salvador. Portanto, não são seres humanos falhos que devemos tomar como referência, mas o que Deus diz em Sua Palavra.



"Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer... Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só... Não há temor de Deus diante de seus olhos... para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus... Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus... Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus." Rm 3.



Evidentemente, a tendência na sociedade será cada vez mais de aceitação de diferentes inclinações sexuais, sob a alegação de se tratar de opção pessoal e não implicar em dano à sociedade como um todo. Até mesmo as leis tenderão a reconhecer uniões do mesmo sexo como válidas para preservar os direitos das pessoas envolvidas, como acontece em qualquer sociedade entre duas pessoas. São questões civis legisladas por homens e que acabarão definidas pelos legisladores e serão obedecidas pelos cidadãos.



Obviamente nisso não se inclui a idéia de casamento gay defendida por alguns, já que isso seria uma triste caricatura de uma instituição divina criada para o relacionamento entre um homem e uma mulher para, entre outras coisas, auxílio mútuo, procriação e, principalmente, representar Cristo e Sua noiva, a Igreja.



Portanto, o ponto aqui não é o que a sociedade aceita, o que as leis dizem do ponto de vista de uma relação civil entre duas pessoas ou o que as pessoas querem fazer por escolha própria. O ponto é: Deus aceita a homosexualidade como algo normal para Ele? Não. Deus pode amar um ateu, mas não irá amar o ateísmo, contrário à Sua própria existência. Ele pode amar o homossexual, mas não irá amar o homosexualismo, contrário ao Seu plano original da Criação:
Disse Jesus: "Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem." Mc 10:6-9.



Assim como Deus faz, devo amar e respeitar todas as pessoas, independente do estilo de vida ou preferência sexual que escolheram, mas isso não implicará que eu deva aceitar ou concordar com suas práticas ou com o modo de vida que escolheram. Você queria saber o que a Bíblia diz do homosexualismo e eu não poderia amenizar o que encontro ali.



Lembre-se de que qualquer verdadeiro cristão deve proceder como o Senhor Jesus procedeu quando andou neste mundo: Ele sempre amou o pecador e detestou o pecado. Todas as pessoas devem ser amadas como Deus as ama, independente de seu modo de vida. Mas amá-las não implica em aceitar seu modo de vida, principalmente quando temos diante de nós um testemunho claro daquilo que Deus pensa sobre o assunto.




Art. postado por Mario Persona- (http://www.respondi.com.br/)


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

SOBERANIA DE DEUS NAS CATASTROFES

A doutrina da soberania de Deus é uma doutrina de grande importância dentro da teologia cristã, durante muito tempo a igreja reformada sustentou a forma tradicional de se entender essa doutrina, porém, percebem-se algumas arestas, que já alguns teólogos reformados têm apontado. Acredito que o maior delas é que a doutrina na sua forma tradicional invalida a responsabilidade do ser – humano para com os males que acontecem no mundo. Por exemplo: hoje temos visto fenômenos meteorológicos extremos, mais freqüentes e mais intensos, como nunca antes visto. Aí fazemos a seguinte pergunta: “De quem é a culpa”? E alguns respondem: “Deus é soberano e controla todas as coisas. Ele sabe o que faz”! Esse tipo de resposta já está ultrapassada, uma doutrina da soberania de Deus relevante é aquela que responde esse e outros tipos de perguntas que fazemos todos os dias, sem tirar a responsabilidade do homem e sem comprometer a soberania do Deus todo poderoso. Sabemos que os maiores problemas relacionado à natureza é de total responsabilidade humana, é o egoísmo humano que na verdade está destruindo todo o planeta!

A proposta de Shirley C. Guthrie no livro “Sempre Reformando”, pode ser uma grande saída para que a teologia reformada fique de uma vez por todas livre dessa tradicional doutrina especulativa da Soberania de Deus, onde apresenta um Deus que é soberano e livre para fazer o que quiser, para “amar e não amar, ajudar e recusar-se a ajudar, oferecer perdão ou exigir punição em resposta ao pecado humano, salvar e condenar” [1]. Nessa mesma perspectiva esse Deus é responsável por tudo o que acontece na terra, pois nada pode acontecer contra a sua vontade, “tudo que acontece no universo é determinado pelos incompreensíveis planos de Deus (Institutas de Calvino. 1.17.2)” [2], e, além disso, essa mesma doutrina aponta para um poder dominador e controlador de Deus, sendo Ele também responsável pela condição que cada ser humano vive na terra, exigindo que cada um permaneça na condição em que está. Dessa forma os pobres, doentes, impotentes, devem permanecer como estão, humildemente, aceitando o que Deus determinou.

Como podemos usar esse tipo de teologia em nossos dias? Ela não responde e na verdade nunca respondeu as indagações do ser humano quanto à vida. Como pode haver um Deus assim? Que faz acepção de pessoas? Que trata alguns com total desumanidade e outros com grandes regalias? Prefiro acreditar que esse Deus não existe!

Como Shirley disse: “existe, porém, outra maneira de se entender a soberania de Deus, uma maneira que o próprio Calvino conhecia, e que os teólogos reformados contemporâneos como Karl Barth, Jurge Moltmann e Daniel Migliore, têm redescoberto em nosso tempo” [3].

Podemos chamar essa doutrina de: “doutrina trinitária de Deus”, doutrina essa que entendemos o poder e a soberania de Deus através da revelação “somente em Cristo”. Que apresenta um Deus trinitário, ou seja, “Deus Pai Todo Poderoso”, “Jesus Cristo”, o seu único Filho, e o “Espírito Santo”. Nessa doutrina Deus tem liberdade em todos os eventos da vida, liberdade não para salvar ou punir, ajudar ou não ajudar, amar ou não amar. Mas, pelo contrário, liberdade somente para amar.

Dessa forma, não foi Deus que matou através do tsunami as 220 mil pessoas no sul Ásia e leste da África no dia 26 de dezembro 2004, na verdade foi o próprio homem que causou tudo aquilo, pois, a liberdade da soberania de Deus é somente para amar, mas alguém pode perguntar: se Deus realmente amava aquelas pessoas, onde estava Deus no momento da tragédia?

Creio que Ele estava naquele momento consolando os que sofriam. Creio que Ele estava agindo através dos médicos, enfermeiros, e pessoas comuns que voluntariamente ajudavam aqueles que perderam seus bens e seus entes queridos. Ao contrário do que muitos pensam e afirmam que “Deus é vingador”, às vezes usando a palavra “justo” para justificar essa idéia. Eu na verdade creio que Deus é “AMOR”, pois, a sua justiça não é para vingar, destruir, ferir, punir, mesmo que todas aquelas pessoas que morreram fossem más, a “justiça que vemos em Deus é justiça que vemos executada na morte de Jesus em “favor”, e não contra a humanidade pecadora”[4].

A Bíblia nos mostra um Deus que sofre com a humanidade, e não um Deus alheio, que governa tudo de longe, mas um Deus que participa e partilha o sofrimento e as aflições de seu povo. Creio que no dia 26 de dezembro de 2004, Deus estava sofrendo ao lado daqueles que sofriam, pois, Deus na sua soberania tem liberdade para partilhar a fraqueza e o sofrimento do ser humano.
Portanto, acredito que é esse o tipo de teologia que responde as nossas perguntas. Ao contrário da doutrina tradicional especulativa da soberania de Deus, que nos leva a ser ainda mais alienados dos que sofrem, essa nos desafia e nos faz refletir com mais seriedade sobre as nossas atitudes em relação ao mundo e as pessoas que sofrem.

[1] Shirley C. GUTHRIE. Sempre Reformando, p. 99.
[2] Shirley C. GUTHRIE. Sempre Reformando, p. 100.
[3] Shirley C. GUTHRIE. Sempre Reformando, p. 105.
[4] Shirley C. GUTHRIE. Sempre Reformando, p. 109.




sexta-feira, 30 de julho de 2010

UM POUCO DA NOSSA HISTÓRIA

Quando se fala em história da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil logo vem à lembrança a data do “31 de Julho”. Isso é mais do que natural face à importância da data do nascimento de nossa querida Igreja. Os nomes de Eduardo Carlos Pereira, Othoniel Mota, Vicente Themudo Lessa, Alfredo Borges Teixeira, dentre outros, estão fortemente presentes na lembrança e na memória de Igreja Independente.

FUNDADORES

Na noite de 31 de julho de 1903, um grupo de 7 pastores e 11 presbíteros deixou a reunião do Sínodo (da então Igreja Presbiteriana do Brasil), liderados pelo Rev. Eduardo Carlos Pereira, para fundar a “EGREJA PRESBYTERIANA INDEPENDENTE BRAZILEIRA”, segundo a ortografia da época. No dia seguinte, 1 de agosto, organizaram-na oficialmente em “Presbitério Independente”. Outros quatro presbíteros foram arrolados entre os fundadores da Igreja (ficaram conhecidos como “fundadores do dia seguinte”). Os pastores fundadores eram:

· Alfredo Borges Teixeira
· Bento Ferraz
· Caetano Nogueira Júnior
· Eduardo Carlos Pereira
· Ernesto Luiz de Oliveira
· Othoniel Motta
· Vicente Themudo Lessa

A LIDERANÇA DE EDUARDO CARLOS PEREIRA

Eduardo Carlos Pereira nasceu em 1855. Em 1875 fez sua pública profissão de fé, na Igreja Presbiteriana de São Paulo, perante o Rev. G. Chamberlain. Cinco anos depois, iniciou sua carreira ministerial na cidade de Campanha, estado de Minas Gerais. Em 1884, juntamente com Remígio Cerqueira Leite, fundou a Sociedade Brasileira de Tratados Evangélicos, visando a publicação de opúsculos para evangelização e disseminação do protestantismo. Nessa Sociedade já estava, em embrião, tudo aquilo que Eduardo Carlos Pereira representaria para o presbiterianismo brasileiro. Algumas características dessa Sociedade eram:

· Recursos nacionais - Seria sustentada por recursos financeiros oriundos do Brasil;
· Cooperação interdenominacional - Teria espírito de cooperação com outras denominações brasileiras, evitando publicar textos sobre temas e assuntos de controvérsia entre elas;
· Autores brasileiros - Publicaria trabalhos escritos por autores nacionais;
· Temas relevantes - Preocupar-se-ia com temas de relevância na realidade nacional.

CONTEXTO

Os missionários e as igrejas dos Estados Unidos deveriam ter percebido esse movimento inicial e deveriam também passar a atuar no sentido de emanciparem a Igreja Presbiteriana que aqui organizaram, mas não foi isso que veio a acontecer.

Na base de tudo estava um problema muito sério: o da preparação dos pastores para a Igreja Presbiteriana no Brasil. Desde a organização do Sínodo, em 1888, a questão que dividia a Igreja era a da criação de um Seminário Teológico. Os missionários do Norte dos EUA queriam-no em São Paulo, onde já possuíam uma escola (a atual Universidade Presbiteriana Mackenzie). Os missionários do Sul dos EUA queriam-no em Campinas, onde também já tinham uma escola. A conseqüência dessa divergência era que não se instalava, de fato, um seminário presbiteriano no Brasil.

O Rev. Eduardo Carlos Pereira e sua igreja envolveram-se diretamente na questão. Afligia-os o fato de não existir uma preparação adequada para os pastores da Igreja. Foi em meio a essa situação que, a partir de 1898, surgiu mais um problema: a questão maçônica. A origem da questão maçônica se deu através dos artigos de Nicolau Soares do Couto Esher, publicados em “O ESTANDARTE”, procurando demonstrar a incompatibilidade entre a maçonaria e a fé cristã. O assunto era polêmico. Vários pastores e missionários pertenciam à maçonaria.

CRESCIMENTO INICIAL

A IPIB nasceu pequena. No entanto, o fervor inicial, que era muito grande, propiciou à Igreja um crescimento muito expressivo. Em pouco mais de dez anos, a nova Igreja quase alcançou o mesmo número de membros da Igreja Presbiteriana, da qual saíra em 1903. Era tão impressionante esse crescimento e tão significativo esse fervor que a IPIB ganhou um carinhoso apelido: “Igrejinha dos milagres”! Os estudiosos sugerem que três razões colaboraram, e em muito, para esse crescimento inicial dos presbiterianos independentes:

1. A pregação anti-maçônica - ainda inflamados com o tema que determinou o nascimento da IPIB, conquistaram muitos simpatizantes com essa pregação, que afirmava a pureza doutrinária da Igreja de Cristo;

2. O deslocamento de crentes para outras regiões do país - no início do século XX muitas famílias mudaram-se para novas regiões de povoamento, particularmente em partes do Estado de São Paulo, Minas e Paraná. Isso levava a mensagem evangélica junto com as famílias migrantes;

3. A evangelização propriamente dita - sem dúvida, diante da necessidade do anúncio do evangelho, os primeiros presbiterianos independentes eram muito fervorosos, trazendo muitas pessoas, em especial parentes e vizinhos.
A ABERTURA NOS ANOS 80

No princípio dos anos 80 do século passado a nossa Igreja carecia de uma modernização. O Brasil saía de um período difícil de sua história, marcado pelo autoritarismo, pela perseguição às idéias diferentes e pela falta de liberdade. Iniciou-se uma abertura política. A IPIB acabou acompanhando essa tendência, iniciando na mesma época um processo de abertura ministerial e pastoral. Esse processo constituiu-se em grande bênção para todo o arraial presbiteriano independente! Liderada pelo Rev. Abival Pires da Silveira (que foi presidente do Supremo Concílio, atual Assembléia Geral, por três vezes), a IPIB deu saltos de qualidade e de serviço no Reino de Deus:

· Passou de um para três seminários teológicos;
· Deu real impulso à obra missionária, planejando-a e executando-a através do ministério da Secretaria de Missões;
· Desafiou a Igreja a agir com maior espírito diaconal, propondo a todas as igrejas locais que tivessem seu próprio projeto social (anteriormente só havia Bethel - Lar da Igreja, em Sorocaba, SP);